Introdução

Amanhã Tudo Pode Mudar

A entrada numa nova Era, como é o caso da atual Era Digital, não é pacífica, do ponto de vista empresarial, social, económico e nem mesmo a nível individual.

Os impactos são enormes e assistiremos a alterações profundas a todos os níveis. Os líderes de hoje, dificilmente serão os líderes desta nova Era. Assistiremos ao desmoronar de empresas (incluindo “gigantes” mundiais) e a grandes alterações comportamentais individuais com impactos significativos no consumo de bens e serviços.

Uma das indústrias no epicentro destas alterações é a indústria dos Media e Entretenimento, que verá os modelos de negócio sofrer alterações que mudarão para sempre os modelos de produção, distribuição e consumo.

Os processos de mudança e de reorganização são sempre complexos e, neste momento, temos o desafio em perceber esta nova realidade.

Em meados dos anos 90, com as explosão das start ups tecnológicas e das capitalizações bolsistas em torno das dot com, houve uma corrente de pensamento que alimentou a ideia de uma mudança radical que não era possível ser explicada pelos modelos económicos e lógicas de gestão empresarial tradicional. Afirmavam que estávamos numa “Nova Economia”.

Esta perceção de que estaríamos a viver uma nova lógica económica e que obrigaria a novos modelos económicos foi criada pela incompreensão de estarem a nascer novos mercados em indústrias tradicionais (exemplo: publicidade digital na indústria dos Media), ou mesmo novas indústrias como é o caso da indústria dos videojogos.

Em 2000, com o colapso de muitas empresas tecnológicas provocado pela insustentabilidade económica das mesmas, foi claro para todos que os modelos económicos e as lógicas de gestão se mantinham inalterados e válidos.

Quando tudo parecia estar claro, Chris Anderson (diretor da revista Wired), lançou a confusão com dois livros: Cauda Longa (2006) e Grátis(2009).

Cauda Longa assenta na teoria de que um bem produzido e distribuído digitalmente tem custos muito baixos que permitem a sua rentabilização no longo prazo, o que o levou à construção de uma segunda teoria, em que a abundância levará a que tendencialmente os produtos serão grátis.

As alterações a que hoje assistimos provocaram um choque tecnológico positivo que levou ao aumento da produtividade e à descida dos custos de distribuição, com impacto direto no preço. Mas, como sempre, não há “almoços grátis”.

Por isso, Chris Anderson cometeu erros básicos de análise económica e ignorou a capacidade das estratégias de gestão e marketing, capazes de influenciar o comportamento e consumo dos consumidores. Esqueceu-se também do contínuo aparecimento de novos mercados/ecossistemas e de novos dispositivos de consumo de Media.

As suas teorias já foram alvo de críticas na comunidade académica sendo a mais acutilante levada a cabo pela Professora da Harvard Business School – Anita Elberse.

Para os gestores e economistas os desafios são cada vez maiores. Todos os dias surgem novas realidades a um ritmo cada vez mais acelerado. Este livro pretende refletir os desafios e realidades que hoje vivemos, mas amanhã tudo pode mudar…

 

 

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